QUE TIPO DE PISADA EU TENHO?

Talvez essa seja a maior dúvida entre os milhões de praticantes de corrida ao redor do mundo, principalmente na hora de investir no tênis mais adequado na tentativa de prevenir alguma lesão. É provável que nenhum esporte tenha crescido na última década e nenhum outro reúna tantos competidores, profissionais ou amadores. E isso, movimenta (e muito) a ciência, a indústria, a mídia e o comércio. No meio disso tudo, estamos nós, amantes desse esporte maravilhoso, sendo bombardeados de informações todos os dias, por todos os lados.

Classicamente, existem três tipos de pisada: pronada, supinada ou neutra, e elas costumam ser descritas da seguinte maneira:

PRONADA: Após o contato inicial do calcanhar com o solo, o pé realiza uma rotação excessiva para dentro, aumentando a carga sobre as estruturas mais mediais do pé.

NORMAL: O contato com o solo é feito na parte externa do calcanhar. Em seguida o pé faz um pequeno giro para dentro.

SUPINADA: Após o contato com o solo na parte externa do calcanhar, o pé não gira o suficiente para dentro, mantendo o apoio em sua face lateral.

Pois bem, como identificar o tipo de pisada? Numa busca rápida na internet, surgem diversas formas: ver onde acontece o desgaste na sola do calçado, ver o tamanho do arco plantar, o posicionamento do calcâneo (osso do calcanhar), alinhamento dos joelhos, ou métodos como molhar a sola do pé, e caminhar sobre um jornal vendo na sequência a imagem formada pelo contato do pé com o solo. Pois bem, para a ciência, nenhuma dessas informações é relevante o suficiente para classificar qual o tipo de pisada do indivíduo.

A pisada é um processo dinâmico, e deve ser avaliada também dessa forma. E mais, ela costuma alterar durante o exercício.

Ou seja, se o objetivo é descobrir como o pé se comporta durante a corrida, a avaliação deve ser feita com a pessoa… correndo!

Pronação e supinação são movimentos normais, que acontecem durante o ciclo de corrida ou caminhada. No começo do passo, o tornozelo geralmente está inclinado para fora (supinação). Já no final do passo, ele inclina-se para dentro (pronação). E como esperado pode ocorrer deteriorações assimétricas no calçado no meio deste processo.

Mas se pronação e supinação são movimentos normais, onde está o problema então?

Bem, quando esses movimentos acontecem em excesso, numa angulação alterada ou com uma velocidade excessiva (principalmente a pronação na corrida) corremos o risco de desenvolver lesões. Porém, grande parte dos males que acometem os atletas (principalmente amadores) são multifatoriais. Ou seja, estão associados a diversos fatores de risco, sejam eles internos, como idade, sexo, composição corporal, força, mobilidade, disfunções de movimento, lesões prévias e até questões comportamentais. E ainda a fatores de risco externos como erros (ou ausência) de treinamento, tipo de calçado, tipo de superfície e até tipo de ambiente (clima, temperatura, e etc.).

Em suma, quando pesquisamos informações sérias no âmbito científico, verificamos que somente o tênis não é capaz de proteger o corredor contra lesões. Diversos outros aspectos devem ser respeitados.

Assim, a escolha do calçado, na prática, é algo simples e individual. Existem muitas opções de material, o que é ótimo, pois dessa forma, podemos encontrar o mais confortável para cada um de nós. O corredor deve manter em mente que, após a escolha do calçado, vários outros cuidados também devem ser tomados para uma prática esportiva saudável. Para isso, vão aí algumas dicas para quem já corre ou está iniciando:

1 – Treine seu pé. Como? Fique descalço mais tempo ao longo do dia. Sustente-se apoiado sobre apenas um dos pés. Force os dedos contra o chão. Caminhe descalço, progressivamente, em diferentes terrenos. Dentro do calçado seu pé não é estimulado.

2 – Tenha bom-senso. A progressão das adaptações do nosso sistema musculoesquelético é mais lenta do que a do cardiorrespiratório. Ou seja, o fôlego lhe permitirá ir mais longe, o corpo, precisa um pouquinho mais de tempo.

3 – Caso tenha disponibilidade, converse com diferentes profissionais especialistas na sua área (educadores físicos, fisioterapeutas, nutricionistas e médicos). Se não houver como, use sempre a regra do bom-senso. A maioria dos problemas acontece quando a progressão do exercício acontece rápido demais.

4 – Alimente-se de forma equilibrada e respeite as horas de descanso.

Matheus Radaelli Zanonato

Fisioterapeuta Pós Graduado em Fisioterarapia Traumato-Ortopédica e Desportiva

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